terça-feira, 29 de setembro de 2009

Marx, Mia Couto e Petit Nicolas

Esse foi o kit leitura da viagem:

- biografia do Marx, que comecei na rodoviária em Curitiba

- romance do moçambicano, o manoel de barros da prosa, que eu levei pra continuar

- livro do sempè-goscinny le petit nicolas pra estudar francês








já em Campinas, na tarde livre, caminhada, yôga e fotografias ouvindo joaquin sabina
passeei no cambuí, bairro nobre, nos arredores do hotel; parte bonita da cidade
músicas de altíssima qualidade que ouvi nos deslocamentos, no carro:
madredeus, mônica salmaso (voadeira), ceumar (em criciúma ela cantou que
criciúma lembra paris!), chico buarque (quando o
carnaval passar), fabulous trobateurs...

Sem querer fazer propaganda
Era o que tinha
Caro pra chuchu
Mas o povo era legal
A aula foi boa
E o dia estava lindo
Ensolarado e frio

Santa Rosa do Sul


foi a primeira vez que já de saída tive que pegar o ônibus da 2 da manhã, de sábado pra domingo, com destino a Criciúma, Santa Catarina. (Eu até contaria do mala Gilson se ele não tivesse sido tão mala).
E nesse primeiro trecho da semana o mais incrível foi fazer 16km em estrada de chão, numa área rural maravilhosa de bonita. Esse vasto mundo vai se alastrando de gente por toda parte que de vasto tem seus estômagos e sonhos. Uma estreiteza de quem se afunda na largueza do estreitar-se. Vejo a estranheza dos outros quando no vai da conversa falo pra quem pergunta justamente aquilo que não era pra responder. A resposta nova a problemas velhos faz que nem galo cantando antes do sol nascer: acorda.. Fico pouco. Vou-me embora. E já não existe mais o lugar.

sábado, 19 de setembro de 2009

um mês de blogagem

Hoje faz um mês de blog.
Faz mais de um mês que não viajo.
Nesta madrugada, todavia, pego um ônibus pra Criciúma.
De lá vou pra Turvo e Santa Rosa do Sul.
Depois passo de avião por Floripa pra chegar em Campinas.
Aí tem Jacutinga sul de Minas e Monte Mor, SP.

Na volta vai ter fotos e histórias.
Também vai ter mais post de viagens que ainda não relatei.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Santa Terezinha, perto de Foz

Que temporal que deu lá
Foz quando chove não dá
Neguinho tem que se entocá



Fui pra Foz mas não vi cataratas.
Vi mais uma
entre as tantas cidades pacatas.
Nesse blog as rimas são
boas e baratas.

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Depois teve litoral de São Paulo. Mongaguá e Santa Izabel.
Fiquei em Santos, foto tirada da janela do hotel.
Rima ruim de novo! Meu Deus do céu!




Peguei chuva, vento forte
Nunca vi ter tanta sorte
Tempo bom é só no norte


Piratuba!


Nossa! Quase que eu ia esquecendo da peregrinação em Santa Catarina lá pra lá de Chapecó! Seu Cézar, o motorista cativante que compartilhou comigo os altos e baixos do seco que ainda estava a região. Depois disso foi chuva e desabamento. E o seu Cézar que não perde um dia de Pica Pau na tv! E o seu Cézar que me pagou uma cervejinha no hotel especializado em velhinhos de Piratuba, lugar de termas e trilho de trem. Teve também Guaramirim. E passos até Passo Fundo, RS, com almoço na mãe da Vá!





quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Rio Tocantins

no sul, na santa, três barras
uma gata ganhou a carne que não comi
era o dia seguinte
depois imperatriz (ou será imperatriste?)
e motoristas
gente humilde

verde, asfalto e céu tinindo de azul


travessia de rio largo

pra chegar na beira do outro

sol se apagando na china

pra estalar em Araguatins


professoras. muitas pessoas.

gente humilde








foi na beira do Araguaia

o almoço no quase-pará

na ponta de cima

no lado de lá








e o menino elias

pintor de madeiras

fazedor de esperanças

cuidador de sonhos



pelo caminho

o povo

as casas

as cadeiras

as varandas

as flores

as crianças



ainda teve algodão

no solo do chapadão

parecia um grande colchão sem envelope






e o sol eu via no seco, no longe

ou no alto, alargado

ou no espaço entre as sombrancelhas

no adiante

quase já indo luzir no japão


teve então seu Casimiro

o adorável motorista de Campo Grande

irmão da dona Isaura

70 anos e 30 gatos!

é gente humilde



e eu que creio, chico

estou certa

deus escuta o seu cantar

e eu que creio, chico

sou gente humilde e choro

quando volto pro meu lar

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Espírito Santo

Parece até que foi sonho, não fosse meu telefone móvel, que vai comigo pra lá e pra cá e, a quem devo as imagens que consegui captar. Colocar aqui não consigo. Já conectei o cabo do telefone ao computador e de cabo a rabo já li o manual. Instalei programa que vem junto e tentei tudo de novo. Um dia consigo e coloco umas fotos aqui. Ou não. Vai só texto então.

Essa viagem, quando eu fui era inverno aqui. Foi em junho. Lá, era uma brisa de mar, vento morno pro frio. Um refrescar. Essa viagem merecia o Guimarães contar. Nem precisava imagem pra estragar.

Comecei chegando em Vitória e daí pro sul. Direto pra Cachoeiro (cidade natal do Rubem Braga). De lá segui pra Mimoso do Sul. Um mimo de cidade. Uma estrada feita pra contemplar. Muqui foi uma cidade mínima por onde passei, no caminho. Parecia um sonhar. Pela estrada muito céu azul na alvorada e no crepúsculo. Muito rio, mato, montanha... Deu vontade de escalar.

Fui deixada pra dormir em Guarapari, praia dos namorados e, como nada é coincidência, eu estava mesmo apaixonada, e de tão agradecida, fui cantar pra iemanjá. Pisando na areia curativa de lá minha prece foi ouvida, pela senhora das águas, que secou meu pranto e molhou minha mágoa.

Então fui trabalhar em Alfredo Chaves; fiquei em Colatina e fui trabalhar em Itaguaçu; fiquei em Montanha e fui trabalhar em Mucurici; as duas últimas cidades já na divisa com a Bahia. Voltei pra Vitória pra dormir em Vila Velha, cansada dos 1700 kilômetros rodados e estourando de felicidade e amor, pelo amor e pela humanidade. Tanta beleza deixou boba, fiquei sonhando devaneios. Quem sabe morar no convento que fica no alto do grande morro.



e o despertar acontece nos sonhos

eu carregava uma menina no colo

sem esforço

numa subida

era fácil e aconchegante ela no meu colo

e ela não era um bebê

era uma menina

E essa menina era eu


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Tudo é dor




Essa é La Paz, onde estive também
por Edgar Arandia Quiroga
perdoe suas falhas

siga o caminho

encontre paz interior

sinta-se inteiro





tudo é momentâneo
e tudo é sempre
a importância
não tem importância

vai. indo você é.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Roberto, Rogério e Eric, Elvis e o Miguel



Essas fotos tirei recentemente, na segunda vez em Natal, quando fui visitar meus amigos no calçadão e conheci o gatinho Miguel, fofíssimo, resgatado pelo Elvis. Segundo ele, uma senhora louca abandonou o pobre e lindo gatinho...





E esse aí é a figura Roberto
motorista que não gosta de tomar leite
e que tem medo de cobra


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Na volta pra casa


Beijo e amasso meus gatos. Eles são tão fofos e tão gordos e tão meigos e tão puros e tão protegidos que me comovem. Têm cheiro de talco. Está frio. Abraço minha mãe. Danço ao som da música francesa, música de festa de fadas. Tomo um banho enquanto lembro da gaúcha que voltava do sítio na bahia, e que sentou ao meu lado, no avião. Sem falar no Roberto, de quem me lembro agora. taxista natalense trabalhador brasileiro cheio de boas histórias para contar, com sotaque e trejeito que só os nordestinos têm. Foi pena eu ter esquecido do Rogério artesão do calçadão em Ponta Negra. Eu ia mesmo comprar umas tornozeleiras dele. E as castanhas que ganhei do Raimundo, de Teresina, com quem, aliás, não me entendi muito bem. Comprei doce de buriti, antes de ter conhecido as casas pobres nas margens do Parnaíba, com seus moradores sentados do lado de fora. Não consegui entender muito bem a lenda do cabeça de cuia, mas é uma coisa horrível. Em Natal, babaçus e carnaubeiras por toda parte. E o pico do cabugi, o maior do Rio Grande do Norte!


Meses depois estive novamente com o Roberto, o Seu Elvis e o Rogério. Conheci o Eric, também artesão. Foi na ida à Goianinha, pro lado da praia da Pipa, oposto ao passeio de buggy que fiz na primeira ocasião.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Açu ou Assú?





Fui então parar no Rio Grande do Norte. Isso depois do Piauí. Uma chuvarada que ninguém não mais se lembra. No noticiário era gente largando casebres pra tentar se salvar. E me mandaram pra lá. Fui feliz da vida. O inverno do nordeste é chuva. Alaga mas também refresca.


Comecei por Teresina. Conheci alguma particularidade da cidade. O Cabeça de Cuia e as casas de taipo às margens do Parnaíba (mas essa da foto é de tijolo mesmo).


De lá fui pra Campo Maior.
Uma estrada entornada de buritis e babaçus.
Em vez de carroças
(ainda que algumas permaneçam)
muita moto no lugar.
O povo das motocicletas.
E bicicletas.

No aeroporto de Natal me esperava o Roberto. Dos motoristas mais engraçados que conheci. Nos vimos de novo recentemente, quando estive em Goianinha. Nem Natal não vi. Fomos direto deitar cabelo na estrada pra chegar em Açu. Ou Assú, por determinações de um certo prefeito de lá. Deve ser pra evitar leituras incorretas do nome indígena. Nem todo mundo sabe que cê cedilha tem som de ésse.


E veja bem se tinha algum cabimento. No final eu dormiria em Ponta Negra na cidade de Natal e sairia de madrugada sem café da manhã pra pegar um avião 7.

Resolvi por conta prolongar e fiquei em Natal num dia de sábado. Aí pude ver muitos gatos na orla noturna da praia (felinos!), pude tomar um delicioso café da manhã no hotel bacana que eu estava hospedada, pude passear
de buggy (do seu Élvis, que figura!)